Leka

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quinta-feira, 11 de junho de 2015

A Contabilidade e o Relacionamento Conjugal (Segundo as Normas internacionais de Contabilidade) Atualizado para o Dia dos Namorados 2013


Como avaliar os resultados de uma relação conjugal? Essa é e sempre será uma pergunta de difícil resposta. No entanto, a Contabilidade, na qualidade de ciência social, poderia contribuir muito para avaliação dos relacionamentos conjugais a partir da adaptação de alguns conceitos, princípios e técnicas. Senão vejamos...
Quando duas pessoas decidem casar-se e formar um único núcleo familiar, de imediato aplicam-se dois princípios fundamentais da contabilidade: O primeiro é o princípio da Entidade, pois a partir da celebração da sociedade matrimonial não mais existirão duas pessoas, mas uma única entidade que não se confunde com os indivíduos que integram a relação.
Outro princípio é o da Continuidade, pois não se casaram com data de validade ou com o objetivo de se separar no futuro. A proposta de enlace, as promessas e as expectativas são de laços eternos, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, até que a morte, em fim os separe, pelo menos  acredita-se nisso e não se vislumbra naquele instante nenhuma perspectiva de falência da relação. Da mesma forma ocorre na constituição de uma empresa que, via de regra, não será criada com a expectativa de que irá falir. Neste caso também acredita-se que será para sempre!!!
O patrimônio da relação deverá ser segregado em ativo, passivo e patrimônio líquido, se apropriando da equação fundamental do patrimônio. No entanto, os ativos e passivos serão segregados em: Emocionais (intangível) e Patrimoniais (tangível).
Logo no início, quando ainda estão se conhecendo existem os “custos pré-conjugais” que caso a relação se consolide serão diferidos no tempo. Se não der certo ambos devem levar os gastos pré-conjugais para o resultado e partir para outra. No entanto, ao aceitar a relação, ambos devem não devem considerar apenas o custo de aquisição (saída para o cinema, jantar romântico, passeios no parque,...),pois este pode estar subestimado. É importante na decisão de continuar a relação considerar o custo de manutenção e até mesmo o custo de “descarte” (separação), que pode variar e ser relevante. Por exemplo, o custo descarte de um(a) advogado(a) é normalmente bastante elevado.
Quando se casam já se constitui um patrimônio inicial do tipo emocional, pois normalmente pouco se tem de patrimônio. No ativo emocional estará registrada a capacidade que cada um tem de gerar benefícios futuros para relação.
O ativo emocional inicial deve ser contabilizado aplicando-se o princípio do Registro pelo Valor Original, ou seja, o valor de “compra” de cada um que integra a relação.
As promessas de longo prazo ditas no momento da paixão devem ser avaliadas a valor justo (fair value) e trazidas a valores de hoje (valor presente), para não inflar as expectativas. Senão, em ambiente de concorrência perfeita, outros competidores de mercado já poderiam botar olho grande na relação.
Em alguns casos será necessária a criação de uma conta retificadora a fim de melhor representar o ativo ou passivo emocional muitas vezes em contrapartida de uma provisão. Isso acontece muito quando se tem uma expectativa não correspondida. A provisão pode ser revertida: são os pedidos de desculpas, a mão na consciência e o infalível envio de flores...
Nos momentos de “Discussão da Relação (DR)” deve-se fazer um ajuste a valor recuperável (impairment). Quando selarem as pazes e se restabelecer o equilíbrio da relação, resgatando a capacidade de ambos sorrirem, faz-se novo teste de imparidade e se restabelece o valor original do ativo.
As receitas são os momentos felizes,   o nascimento dos filhos, as conquistas da família, ou seja, tudo que de alguma forma aumentou o bem estar da relação e trouxe alegria ao casal, contribuindo para o aumento do ativo emocional.
As despesas são as brigas, tristezas e decepções, que devem ser levadas logo a resultado, pois diminuem o bem estar da relação. A rotina e os desgastes diários devem ser apropriados como “Custo da Relação Vivida (CRV)”, para em seguida serem levados a resultado.
O confronto das receitas (alegrias, conquistas...) e despesas (tristezas, decepções...) é o lucro/prejuízo da relação no período de apuração. Nesse confronto é importante garantir que as despesas sejam menores que as receitas, principalmente as emocionais, que garantem a liquidez da relação.  A relação pode até em determinados períodos apresentar prejuízos mas no acumulado da convivência deve ter “lucros acumulados”. É natural que no início da relação se tenha maior geração de lucros e neste caso deve-se guardar uma parte na “Reserva de Lucros” para compensar as eventuais crises. Os dividendos serão distribuídos em sistemática de partilha simples.
Quando selam um acordo para geração de um filho devem registrar no patrimônio líquido da relação “capital a integralizar”. A notícia da gravidez é um momento de felicidade que aumenta as expectativas futuras da relação e deve ser anunciada para todos os acionistas da relação (familiares e amigos) como um fato relevante, caso contrário poderão ser acusados de “inside information” (informações privilegiadas não compartilhadas com o mercado).
O acompanhamento da gestação deve ser registrado a cada avaliação pré-natal por meio de um ativo a incorporar na relação, em contrapartida da receita (felicidade da relação), isso sob a ótica patrimonial. Sob a ótica orçamentária o filho é um investimento, pois agrega algo novo à relação. É verdade que nas relações modernas algum dos parceiros já traz filhos incorporados. Se esse for o caso, sob a ótica orçamentária, o filho é uma inversão financeira na nova relação, pois já existia na vida de um dos cônjuges.
Está se falando sempre de um patrimônio consolidado formado pela soma sem duplicidades dos ativos e passivos de cada um que integra o casal. Em respeito ao princípio da entidade o filho pode constar do patrimônio de um dos integrantes ou repartido igualitariamente entre os cônjuges. Normalmente a mãe fica com o registro, pois tem a certeza que é dela, sendo esta uma avaliação mais segura. Se fica com o pai o registro no patrimônio será por estimativa. Considerando os investimentos do casal em amor, dedicação, saúde e educação do filho, a avaliação inicial, mesmo por estimativa, perde relevância, pois nas reavaliações futuras deve-se abandonar o registro pelo valor original e se utilizar do “valor justo” acompanhado do postulado da “essência sobre a forma” consagrando a célebre frase que: pai é o que cria.
Sob a ótica fiscal (variação da dívida emocional líquida...) também deve-se garantir que as alegrias e conquistas sejam maiores que tristezas e decepções, sempre trazidas a valor presente (ótica de caixa...). Dessa forma também se evita a necessidade de financiamento junto a terceiros (as), pois se esta necessidade não for sustentável no curto e médio prazos a relação deverá passar por um forte ajuste emocional que exigirá aumento das receitas (momento felizes) ou redução drástica das despesas (situações de tristeza), na busca de superávits emocionais Lembrando que conceitualmente as felicidades geradas por financiamentos externos geram déficits emocionais.
A técnica contábil para registro dos atos e fatos emocionais é o das partidas dobradas ou do carinho mútuo. Nunca haverá um débito sem um crédito, ou seja, nunca haverá um carinho sem reciprocidade. Algumas vezes a contrapartida poderá chegar tardiamente, de forma um pouco defasada, mas no final o lançamento deve fechar as partidas a débito e a crédito. Quando os dois estão bem, cada crédito exige em contrapartida apenas um débito para que o lançamento se feche. Esse é o típico carinho de primeira fórmula (um débito e um crédito).
Há momentos em que um deles se acha muito importante e exige diversos créditos para fechar com um débito ou diversos débitos para fechar com um crédito. Esses são instantes de carência de um dos lados, que exigem atitudes de carinho de 2ª e 3ª fórmula (diversos débitos para um crédito ou diversos créditos para um débito)
Quando o momento é de ampla felicidade, de ambos os lados, daí tem-se um momento de carinho de 4ª fórmula (diversos débitos para diversos créditos...), ocorre normalmente nos momentos de extrema felicidade da relação (nascimento dos filhos, filhos dormindo, orgasmos múltiplos...).
Ao longo da relação podem ocorrer momentos difíceis que diminuem a capacidade de geração de benefícios futuros para a relação. Nesse momento pode-se desejar incorporar outro ativo, externo a relação, muitas vezes denominados de ativo oculto, geralmente financiados como caixa dois, com capacidade de proporcionar benefícios presentes e futuros, normalmente para um dos integrantes da relação. Vale ressaltar que é um ativo de risco!! É “Derivativo Emocional”, pois deriva de situações em que não há carinho mútuo. Ao se desincorporar esse ativo as conseqüências podem ser desastrosas a ponto de se avaliar que patrimônio emocional ficou a descoberto e exigir um novo aporte emocional ou a falência da entidade, digo, da relação. Sob a ótica orçamentária na fase em que o ativo oculto estiver atuando suas despesas devem ser registradas como terceirização e o cônjuge passa a ser um “colaborador eventual”.
Assim, o principal ativo emocional da relação é a capacidade que cada um tem de fazer o outro feliz, de fazer o outro sorrir... Nesse sentido o valor da relação não está no que se viveu, mas no que se vive e na expectativa do que se pode viver. O que vale é a capacidade de continuar fazendo um ao outro sorrir e não o quanto sorriu!
Se mesmo depois dos aportes emocionais e investimentos realizados na relação não se restabelecer a capacidade de fazer o outro sorrir, talvez seja o momento de partir para outro empreendimento... Está é sempre uma decisão difícil, pois implicará na divisão dos ativos e passivos patrimoniais e uma baixa dos ativos emocionais decorrentes da relação, em contrapartida do resultado da relação, pois estes já não tem capacidade de geração de felicidade futura. Mesmo nestas situações a avaliação final poderá constatar um resultado positivo, principalmente se tem filhos, pois neste caso se constata que: “Ex é para sempre”.
Então ame, viva, registre as emoções, celebre as conquistas, provisione as decepções, avalie as expectativas a valor justo, valorize seu companheiro(a) e potencialize a capacidade que ele(a) tem de gerar benefícios emocionais para a relação, pois essas são boas práticas de governança para uma relação duradoura!
O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade  com que acontecem.
Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.
Fernando Pessoa


http://www.gestaopublica.com.br/blog-gestao-publica/a-contabilidade-e-o-relacionamento-conjugal-segundo-as-normas-internacionais-de-contabilidade.html

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