Leka

Leka

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Dos querubins

Trecho de Joseph Campbell (“O poder do mito”)
“Quando expulsou o homem do paraíso, Jeová colocou dois querubins na entrada, com uma espada de fogo. O mesmo acontece na tradição budista: há dois soldados na frente da árvore da vida. O que significam?”
“Eles são o medo e o desejo – um par de opostos. Quando você se aproxima de seu sonho, estas figuras parecem reais e ameaçadoras. Há um medo constante em relação ao desconhecido, e um desejo imenso de continuar vivendo da maneira que se está acostumado”.
“As duas figuras podem nos ameaçar, mas não nos causam qualquer mal. Enquanto não as enfrentarmos, permaneceremos fora do paraíso, por nossa própria vontade”.
“Não podemos culpar ninguém. Afinal, a decisão de ficar na porta é nossa responsabilidade”.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Dos encontros

Todos nós já pudemos perceber que existem determinadas forças que nos aproximam de certas pessoas. Geralmente são pessoas com quem necessitamos dividir algo importante. Entretanto, para permitir que estas forças atuem, é preciso controlar a ansiedade.
Um exemplo recente: eu sabia que o músico e compositor Wagner Tyso estava em Madrid, queria me encontrar com ele, mas parecia impossível.
Eu deixava recado na secretária eletrônica, ele deixava recado no meu hotel, e nunca conseguíamos nos falar.
Um belo dia precisei ir à França de carro. Na volta, cansado de dirigir por mais de 8 horas, parei num bar perdido na estrada, no meio de lugar nenhum. Quando entrei para tomar um café, quem estava lá, também tomando um café, também parando para descansar um pouco? Vocês adivinharam: Wagner Tyso!

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Da simplicidade

Stephen Hawking, autor de “Uma breve história do tempo”, e um dos cientistas mais brilhantes da atualidade, foi recentemente convidado para falar na Universidade de Stanford. Hawking é portador de uma doença que foi paralisando seus movimentos através dos anos. Hoje em dia só consegue mover seus olhos e um dedo. Para falar, usa um sofisticado computador, ligado à sua cadeira de rodas.
Com todas estas limitações, deu uma brilhante palestra, que terminou com as seguintes palavras:
“Eu usei apenas um dedo, e esta engenhoca que me faz falar tem apenas 550 palavras em sua memória. Se, mesmo assim, consegui explicar coisas tão sofisticadas como física quântica, jamais esqueçam que é absolutamente possível simplificar tudo nesta vida, principalmente nossos problemas. Que esta seja a principal lição desta tarde”.

por Paulo Coelho

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

PLANTANDO ÁRVORES

Tempos atrás, eu era vizinho de um médico, cujo "hobby" era plantar árvores no enorme quintal de sua casa. Às vezes, observava da minha janela o seu esforço para plantar árvores e mais árvores, todos os dias.
O que mais chamava a atenção, entretanto, era o fato de que ele jamais regava as mudas que plantava.
Passei a notar, depois de algum tempo, que suas árvores estavam demorando muito para crescer. Certo dia, resolvi então aproximar-me do médico e perguntei se ele não tinha receio de que as árvores não crescessem, pois percebia que ele nunca as regava. Foi quando, com um ar orgulhoso, ele me descreveu sua fantástica teoria.
Disse-me que, se regasse suas plantas, as raízes se acomodariam na superfície e ficariam sempre esperando pela água mais fácil, vinda de cima. 
Como ele não as regava, as árvores demorariam mais para crescer, mas suas raízes tenderiam a migrar para o fundo, em busca da água e das várias fontes nutrientes encontradas nas camadas mais inferiores do solo.
Assim, segundo ele, as árvores teriam raízes profundas e seriam mais resistentes às intempéries.
Disse-me ainda, que frequentemente dava uma palmadinha nas suas árvores, com um jornal enrolado, e que fazia isso para que se mantivessem sempre acordadas e atentas.
Essa foi a única conversa que tive com aquele meu vizinho. Logo depois, fui morar em outro país, e nunca mais o encontrei.
Vários anos depois, ao retornar do exterior fui dar uma olhada na minha antiga residência.
Ao aproximar-me, notei um bosque que não havia antes. Meu antigo vizinho havia realizado seu sonho!
O curioso é que aquele era um dia de um vento muito forte e gelado, em que as árvores da rua estavam arqueadas, como se não estivessem resistindo ao rigor do inverno. Entretanto, ao aproximar-me do quintal do médico, notei como estavam sólidas as suas árvores: praticamente não se moviam, resistindo implacavelmente àquela ventania toda.
Que efeito curioso, pensei eu... As adversidades pela qual aquelas árvores tinham passado, levando palmadelas e tendo sido privadas de água, pareciam tê-las beneficiado de um modo que o conforto o tratamento mais fácil jamais conseguiriam.
Todas as noites, antes de ir me deitar, dou sempre uma olhada em meus filhos.
Debruço-me sobre suas camas e observo como têm crescido.
Frequentemente, oro por eles.
Na maioria das vezes, peço para que suas vidas sejam fáceis:
"Meu Deus, livre meus filhos de todas as dificuldades e agressões desse mundo"...
Tenho pensado, entretanto, que é hora de alterar minhas orações.
Essa mudança tem a ver com o fato de que é inevitável que os vento gelados e fortes nos atinjam e aos nossos filhos. Sei que eles encontrarão inúmeros problemas e que, portanto, minhas orações para que as dificuldades não ocorram, têm sido ingênuas demais.
Sempre haverá uma tempestade, ocorrendo em algum lugar. Portanto, pretendo mudar minhas orações. Farei isso porque, quer nós queiramos ou não, a vida não é muito fácil. Ao contrário do que tenho feito, passarei a orar para que meus filhos cresçam com raízes profundas, de tal forma que possam retirar energia das melhores fontes, das mais divinas, que se encontram nos locais mais remotos.
Oramos demais para termos facilidades, mas na verdade o que precisamos fazer é pedir para desenvolver raízes fortes e profundas, de tal modo que quando as tempestades chegarem e os ventos gelados soprarem, resistiremos bravamente, ao invés de sermos subjugados e varridos para longe.

Jean Paul Barnier "Que suas raízes sejam fortes o suficiente para fazê-lo forte, perseverante, destemido, vencedor e trazer-lhe a tão sonhada felicidade!

Acredite nela, e sobretudo, acredite em você". 

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Da fraqueza - Paulo Coelho

Quem vive se lamentando dos seus próprios recursos, gasta nas palavras toda a energia que precisa para transformar sua vida.
As reclamações e a inveja são péssimas aliadas: desviam-nos de nosso verdadeiro objetivo, porque nunca se transformam em força criativa. Elas podem nos dar um momento de consolo, mas nunca nos ajudarão a chegar aonde queremos.
Diz o Midrash: “mantenha sempre a esperança e a vontade. Se você for pobre, poderá chegar a ser rico. Se for fraco, é possível que venha a ser robusto. Se estiver preso, um dia poderá ganhar a liberdade”.
Sábios de todas as épocas estão de acordo com uma coisa: para o homem inteligente, o que lhe falta é justamente aquilo que o estimula.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Eu amo desorganizado, desenvergonhado...

Eu amo desorganizado, desenvergonhado. Tenho um amor que não é fácil de compreender porque é confuso. Não controlo, não planejo, não guardo para o mês seguinte. A confusão é quase uma solidão adicional. Uma solidão emprestada. Sou daqueles que pedirá desculpa por algo que o outro nem chegou a entender, que mandará nova carta para redimir uma mágoa inventada, que estará se cobrando antes de dizer. Basta alguém me odiar que me solidarizo ao ódio. Quisera resistir mais. Mas eu faço comigo a minha pior vingança. Amar demais é o mesmo que não amar. A sobra é o mesmo que a falta. Desejava encontrar no mundo um amor igual ao meu. Se não suporto o meu próprio amor, como exigir isso?
Um dia li uma frase em Hegel: "nada de grande se faz sem paixão". Mas nada de pequeno se faz sem amor. A paixão testa, o amor prova. A paixão acelera, o amor retarda. A paixão repete o corpo, o amor cria o corpo. A paixão incrimina, o amor perdoa. A paixão convence, o amor dissuade. A paixão é desejo da vaidade, o amor é a vaidade do desejo. A paixão não pensa, o amor pesa. A paixão vasculha o que o amor descobre. A paixão não aceita testemunhas, o amor é testemunha. A paixão facilita o encontro, o amor dificulta. A paixão não se prepara, o amor demora para falar. A paixão começa rápido, o amor não termina.
Não me dou paz sequer um segundo. Medo imenso de perder as amizades, de apertar demais as palavras e estragar o suco, de ser violento com a respiração e virar asma. Até a minha insegurança é amor. O pente nos meus cabelos é faca enquanto é garfo para os demais. Sofro incompetência natural para medir a linguagem das laranjas, acredito desde pequeno que tudo o que cabe na mão me pertence. Minha lareira não dura uma noite, esqueço da reposição das achas, do envolvimento da lenha no jornal, de assoprar o fundo. Brigo com o bom senso. Ou sinto calor demais ou sinto frio demais. Uma ânsia de ser feliz maior do que a coordenação dos braços. Um arroubo de abraçar e de se repartir, de se fazer conhecer, que assusta. Parece agressivo, mas é exagerado. Conto tragédias de forma engraçada, falo de coisas engraçadas como uma tragédia. Nunca o riso ou o choro acontece quando quero. Cumprimento como se fosse uma despedida. Desço a escada de casa ao trabalho com resignação, mas subo na volta pulando os degraus. Esse sou eu: que vai pela esperança da volta.

(Fabrício Carpinejar)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

EU TE AMO... NÃO DIZ TUDO!

EU TE AMO... NÃO DIZ TUDO!

Você sabe que é amado(a) porque lhe disseram isso?

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e palavras.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida,

Que zela pela sua felicidade,
Que se preocupa quando as coisas não estão dando certo,

Que se coloca a postos para ouvir suas dúvidas,
E que dá uma sacudida em você quando for preciso.

Ser amado é ver que ele(a) lembra de coisas que você contou dois anos atrás,

É ver como ele(a) fica triste quando você está triste,
E como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d'água.

Sente-se amado aquele que não vê transformada a mágoa em munição na hora da discussão.

Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro.
Aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido.

Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é,
Sem inventar um personagem para a relação,
Pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.

Sente-se amado quem não ofega, mas suspira;
Quem não levanta a voz, mas fala;
Quem não concorda, mas escuta.

Agora, sente-se e escute: Eu te amo não diz tudo!
Arnaldo Jabor

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Dos espinhos

“Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.  Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupo; assim, se agasalhavam e protegiam mutuamente.
Mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos – justamente os que forneciam mais calor. E, por isto, tornaram a se afastar uns dos outros.
Voltaram a morrer congelados. E precisaram fazer uma escolha: ou desapareciam da face da Terra, ou aceitavam os espinhos do semelhante.
Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos. Aprenderam a conviver com as pequenas feridas que uma relação muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro. E terminaram sobrevivendo.”

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Dos segredos

“Não deixe de prestar atenção nos detalhes de comportamento”, disse o mestre do chá, Okakura Kakuso.  “Procure aprimorar-se nas menores coisas que fizer, de modo a ser capaz de entender os outros”.
“Se não vejo meu próximo na sua totalidade, jamais serei capaz de compreendê-lo”, respondeu o discípulo.
“Você está completamente enganado. Confúcio disse: nenhum homem sabe esconder nada. Mas como descobrir o que as pessoas não querem mostrar? Quando ameaçado todo mundo procura mostrar-se mais forte e mais sábio do que realmente é. Em situações onde são obrigados a relaxar – como num simples convite par tomar chá – terminam mostrando sua natureza nos pequenos detalhes. Você conhecerá o seu próximo se permitir que ele esteja em paz ao seu lado”.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Eu vou estar te esperando


No No Song


You Always Hurt The One You Love


All Things Must Pass


Don't Let Me Down

Não me decepcione, não me decepcione
Não me decepcione, não me decepcione

Let It Be


Hey Jude


P.S. I Love You


Olha Só, Moreno


Cabidela


Sonho Bom


Telegrama

Eu tava triste, tristinho!
Mais sem graça que a top-model magrela
Na passarela
Eu tava só, sozinho!
Mais solitário que um paulistano
Que um canastrão na hora que cai o pano
Tava mais bobo que banda de rock
Que um palhaço do circo Vostok...
Mas ontem eu recebi um telegrama
Era você de Aracaju ou do Alabama
Dizendo: Nêgo sinta-se feliz
Porque no mundo tem alguém que diz:
Que muito te ama!
Que tanto te ama!
Que muito muito te ama,
que tanto te ama!...
Por isso hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria
Hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...
Mama! Oh Mama! Oh Mama!
Quero ser seu!
Quero ser seu!
Quero ser seu!
Quero ser seu papa!...(2x)
Eu tava triste, tristinho!
Mais sem graça que a top-model magrela
Na passarela
Eu tava só, sozinho!
Mais solitário que um paulistano
Que um vilão de filme mexicano
Tava mais bobo que banda de rock
Que um palhaço do circo Vostok...
Mas ontem eu recebi um telegrama
Era você de Aracaju ou do Alabama
Dizendo: Nego sinta-se feliz
Porque no mundo tem alguém que diz:
Que muito te ama!
Que tanto te ama!
Que muito te ama!
Que tanto, tanto te ama!...
Por isso hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria
Hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...
Me dê a mão, vamos sair
Prá ver o sol!
Mama! Oh Mama! Oh Mama!
Quero ser seu!
Quero ser seu!
Quero ser seu!
Quero ser seu papa!...(2x)
Hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...(2x)
Mama! Oh Mama! Oh Mama!
Quero ser seu!
Quero ser seu!
Quero ser seu!
Quero ser seu papa!...(4x)
Me dê a mão, vamos sair
Prá ver o sol!

Janta

Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar
Caberá ao nosso amor o eterno ou não dá
Pode ser cruel a eternidade
Eu ando em frente por sentir vontade
Eu quis te convencer, mas chega de insistir
Caberá ao nosso amor o que há de vir
Pode ser a eternidade má
Eu ando em frente pra sentir saudade
Paper clips and crayons on my bed
Everybody thinks that I am sad
I'll take a ride in melodies and bees and birds
Will hear my words
Will be both us and you and them forever
'cause I can forget about myself
Trying to be everybody else
I feel alright that we can go away
And please my day
I know you'll stay with me because I've surrender
Eu quis te conhecer mas tenho que aceitar
(I can forget about myself
Trying to be everybody else)
Caberá ao nosso amor o eterno ou não dá
(I feel all right that we can go away)
Pode ser a eternidade má
(And please my day)
Eu ando sempre pra sentir vontade.
(I'll let you stay with me if you surrender)


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Sobre ser feliz

- Ela me deixou, Carol. Ela foi embora! – Meu melhor amigo de Miami grita no telefone.
- Meu Deus, Gabriel, quem te deixou?
- A Rebecca! Ela me deixou!
- Qual delas é a Rebecca mesmo?
Nota: o Gabriel é um ricasso bonitão que só sai com modelecas pra, depois de comer, trata-las como absorventes usados.
- A Rebecca! A que você conheceu no meu aniversário.
- A gordinha?
- É!
- Meu Deus! Você tava pegando uma mulher gorda? Minha fé na humanidade foi restaurada!
- Eu me apaixonei por ela…
- Você? O Senhor-Eu-Só-Pego-Top-Porque-Sou-Rico-E-Moro-Em-Miami-Beach? Você está sofrendo por uma mina que não se parece com a Adriana Lima e ela ainda te largou? Calma. Calma, isso é demais pra mim!
- Porra, para, Carol. É sério!
- Gabriel, isso é fantástico! Tô muito orgulhosa de você. Sério. Você foi largado por uma gordinha. Ela não te acha tudo isso, huh? Ha! Eu nem conheço a Rebecca e já adoro ela. Mas olha, não tenho tempo pra lidar com seu drama de moço rico agora, a Blondie tá morrendo.
- O que ela tem?
- Heartworm.
- Putz! Ela vai morrer?
- Não sei. Vai começar o tratamento semana que vem.
- Ela não é igual às outras.
- Eu sei. Ela realmente é uma cachorra especi…
- Não, não a Blondie! A Rebecca!
- Claro que não, Gabriel. As outras não são nada. Elas vivem para achar um homem igual a você, que faça tudo o que elas não sabem fazer na vida: ser confiante, ganhar dinheiro, fazer algo gratificante na vida, ser independente. Elas vêem em você o que elas nunca vão conseguir ser. Aí elas te admiram, e você adora isso. É pra isso que você vive: pra ser admirado. Aí você usa essa ingenuidade delas pra suprir esse seu ego de arquiteto famoso, e depois passa pra outra. Você nem sente pena delas, porque afinal, elas passam por você sem nunca terem valido muito. Mas a Rebecca, ah, a Rebecca… Uma mulher que não precisa do seu dinheiro, e que é real com você, que te possibilita gostar dela, não da imagem dela. Não. Dela. Você conheceu ela como ela é: sem silicone, sem chapinha, sem roupas de marca, sem corpo escultural. Você, meu caro, aos 36 anos, acaba de virar homem.
- Porra, Carol! Mas eu odeio me sentir assim!
- E quem gosta? A tristeza só é proporcional à alegria. Você não era feliz antes, Gabriel. Olha pra você, você era um solteirão pegador antes, e agora você é um solteirão pegador de novo, só que agora essa ideia te deixa horrorizado. Não é irônico como o amor funciona?
- Sabe… Eu não te entendia antes.
- Antes?
- É, você, sempre vestindo a mesma calça jeans, passando os finais de semana tocando música no boteco do Haitizinho. Eu não entendia porque uma mulher como você não estava fazendo o que mulheres como você fazem.
- E o que mulheres como eu fazem?
- As unhas?
- Hahaha!
- Posso passar na sua casa, Carol?
- Não. Tenho que trabalhar amanhã. Sofre aí, daqui uns dois anos isso passa.
- Dois anos?
- É, sei lá. Gabriel, minha cachorra tá morrendo! E dor de amor só dura até você encontrar uma outra filha da puta pela qual você vai sofrer ainda mais que a anterior. Bem-vindo ao mundo real.
- Eu levo cerveja.
- Que cerveja?
- Stella?
- Não. Passa no posto e pega Guinness, ah, e passa no caixa eletrônico porque eu vou precisar da sua ajuda pro tratamento da Blondie. E eu não vou fazer sexo com você.
- Eu faria um furo no colchão antes de pensar em comer você. Quanto?
- É a primeira vez que um homem me fala isso e eu fico feliz. Quanto seu coração mandar.
- Você acha que ela vai voltar pra mim?
- Se ela tiver o mínimo de sanidade mental, não. 300 dólares.
- Porra! Vai tomar no cu!
- Sobre ela não voltar pra você ou sobre os 300 dólares?
- Sobre ela não voltar pra mim. 400 dólares e não se fala mais nisso. Lata ou garrafa?
- Garrafa.
- Te vejo em 10 minutos. Beijo.
- Te amo, tchau.
- Também te amo, tchau.

é mesmo...


Futuro...destino...

O futuro é feito com o que fazemos no presente, podemos procurar descobrir como será nosso futuro, claro que temos curiosidade de saber como ele será, mas naquele momento de curiosidade o futuro era A, dali 5 segundos o futuro já é B, pois cada decisão, cada atitude que temos muda o nosso futuro, a única coisa que podemos fazer para ter um futuro bom é plantar coisas boas no hoje.
Até ontem estava plantando um futuro mas hoje já é outro, eu via um futuro, você via uma utopia, para duas pessoas seguirem juntas, ambas precisam olhar para o mesmo caminho e de mãos dadas plantar o hoje, com muita sinceridade, verdade e amor.
É muito triste ter de deixar um sonho para trás, mas quem sabe surja algo melhor ainda e que tenhamos os mesmos objetivos e não pensamos que o nosso futuro será uma utopia, pois utopias não existem.
O amanhã só a Deus pertence, mas eu estou fazendo o meu melhor hoje para o meu amanhã ser maravilhoso, sonho, planejo, luto, procuro, faço acontecer.

SORRIA!


Sorria, embora seu coração esteja doendo
Sorria, mesmo que ele esteja partido
Quando há nuvens no céu,
Você conseguirá...

Se você sorrir
Com seu medo e tristeza
Sorria e talvez amanhã
Você verá o sol brilhando, para você

Ilumine seu rosto com alegria
Esconda qualquer traço de tristeza
Embora uma lágrima possa estar tão próxima
Esse é o tempo que você tem que continuar tentando
Sorria, o que adianta chorar?
Você descobrirá que a vida ainda continua
Se você apenas sorrir

Este é o momento que você tem que continuar tentando
Sorria, de que adianta chorar?
Você descobrirá que a vida ainda continua
Se você apenas sorrir

Charles Chaplin



“Você adora despedidas…”

Eu fui apaixonada por você e acho que já te disse isso uma vez.
Sim, eu disse e você me devolveu um daqueles sorrisos sarcásticos que só você consegue quando deseja ardentemente ser odiado.
Quis você de todos os jeitos. Quis você chato, quis você ensimesmado, quis você apaixonado, quis voce egoísta, quis você rindo, quis você debaixo da minha coberta, quis você comendo chocolate de manhã e queimando a língua com batata frita, quis você dando bronca nas crianças enquanto corriam loucas pela calçada, quis você trocando o canal da tv incessantemente e parando naquele filme estranho, tão estranho quanto você. Quis você de conchinha e quis você na puta que o pariu também. Quis você acordado e dormindo; reclamando da distância e indo cada vez mais pra longe. Quis que você durasse pra sempre igual aquele sorvete de doce de leite que tomamos juntos e que nem deu tempo de derreter tamanha a urgência, ao contrário de nós.
Tive medo, criei expectativas altíssimas, me decepcionei, desconstrui todas as expectativas, sofri mexicanamente, chorei, virei um alguém com pedra de gelo o lugar do coração, desfiz relacionamentos onde a razão me dizia que eu seria feliz, mas quem liga pra razão? Eu só seria feliz com você e ponto e tatuei isso em alguma parte não fisica da minha existência. Eu só seria feliz com você.
Você era tudo que eu queria e o que eu não queria também. Alguém que eu idealizei lindamente, que eu construi com areia e água, e que na hora certa destrui com um golpe certeiro bem no meio do peito.
Eu sabia que você era menos, mas eu quis ficar mesmo assim. Eu quis viver com o menos, quis que me quisesse igual, e você nunca me quis igual, nem mais.
Eu amei cada curva que descobri em suas linhas retas, naquelas poucas horas em que esteve ao meu lado.
Eu amei cada respiração descompassada, eu amei cada sorriso, eu amei a sua mão chamando a minha pra ser só dela, eu amei intensamente cada ponto e vírgula que você colocou entre nós.
Eu amei e odiei em igual intensidade. Quis perto e quis longe em igual intensidade. Quis o 8 e o 80 em igual intensidade. Porque nós somos assim 8 e 80.
Eu te amei e amo ainda do meu jeitão. Já quis desistir de te amar quatro mil e duzentas vezes, mas essas coisas nao são assim tão fáceis. Desisti de te odiar e consegui.
Eu queria que você fosse meu e só meu, por um dia ou uma vida ou o tempo que fosse.
Eu criei você do meu lado, como um bichinho virtual que eu esquecia intencionalmente de alimentar, só que isso não fazia você morrer, pelo contrário, seus gritos de fome me acordavam no meio da noite.
Talvez tenha me faltado a coragem idiota de mostrar pra você, com atitudes não tão complexas, que era isso mesmo que eu queria e assim fui me escondendo atrás do medo, de armas de fogo, de desculpas infantis e infinitas, de outros caras e outros amores que na verdade nunca foram amores, porque era por você que meu coração dava cambalhotas e sofria paradas, era pra você que eu sorria mesmo você não estando ali; era com você que eu brigava nas várias noites que eu sentia minha cama fria; era pra você que eu contava do meu dia chato. Às vezes eu me dava conta da sua ausência e às vezes não.
Amei errado, fui na contramão, errei feio e errei bonito, senti raiva, quis vingança, fiz coisas horríveis pra você me amar e fiz coisas lindas pra você me odiar e você me odiou pondo um ponto final em tudo aquilo que fomos e em tudo aquilo que não fomos.
Foi aí que quis morrer e morri.
Só que o tempo passou e as coisas foram voltando ao seu estado normal de decomposição. Você disse que era contra essa inflexibilidade do ‘pra sempre’ e o jogo foi andando com o tabuleiro torto mesmo. Mas já nao tinha a mesma graça, essa se perdeu e eu nem sei dizer onde.
Eu amo você de um jeito que não vou desamar nunca mais, eu sei. E agora to chorando um choro sincero só porque desisti de querer você. Desisti de querer uma vida com você, desisti de arquitetar planos vãos pra ver você sofrer, desisti de comprar flores pra jogar no chão que você passou. Desisti de tudo, enfim. E isso incluiu nossos olhares, nossos sorrisos, inclui o jeito único, pessoal e intrasferível que encaixávamos com uma perfeição quase poética um no outro.
Eu desisti da vida que criei pra “nossa pequena família disfuncional” e da vida que nunca vivemos e nem vamos viver juntos.
Um dia acordei e decidi uma vida nova.
E hoje, aqui estou eu, vestindo a capa de otimista, criando um outro castelo, em um outro lugar, com outros personagens e outras histórias. E tudo aquilo que não morre nunca, vai morrer na marra.
Porque agora o final vai ser outro. Vai ser feliz. Assim espero.

http://malvadezas.com/page/2/

Sobre “Amour” e dor

por Julianna Granjeia
A dor mais dilacerante que eu senti na minha vida foi revivida por um filme. E, algumas semanas depois, descobri que essa dor causada pelo amor em seu estado mais puro vai voltar outras vezes.
Aquela que fazia meus coques, costurava as fitas nas minhas sapatilhas, que me apresentou Machado de Assis e Villa-Lobos, que entrava na frente da minha mãe para eu não apanhar, que me botava no colo e fazia cafuné enquanto cantava, definhou e não havia nada que eu pudesse fazer para ajudá-la.
A vergonha que ela sentiu na primeira vez que urinou na cama, os gritos de dor que se transformaram em pedidos para morrer, os chamados pela mãe aos 70 anos. Em meio a tudo isso, era preciso contar moedas para pagar os remédios, exames e consultas. Era o ano de 2001, mas ainda dói.
Na época, eu não soube lidar com o sofrimento de quem cuidava de mim e passou a depender de cuidados. Depois que ela se foi, quem adoeceu foi eu.
“Nada disso merece ser mostrado”, diz Georges (personagem de Jean-Louis Trintignant no filme) a sua filha. Mas os mais tristes e intratáveis fatos da vida têm consequências que precisam ser tratadas.
Saber lidar com o luto é saber lidar com a vida. Por isso, pra quem ainda não perdeu nenhuma Anne (interpretada lindamente por Emmanuele Riva, cada expressão dela era exatamente semelhante as da minha avó), “Amour” pode acabar com o dia. Mas é um ensaio para a vida.
As nossas Annes não merecem sofrer, sentir tanta dor. E desejar o descanso, em paz, é amar plenamente, sem egoísmo.
O amor a gente inventa, disfarça, inventa outro de novo, mas a dor não. A dor rasga, dilacera, desestrutura, deixa traumas. Mas não podemos nos apegar a esses sentimentos ruins. O amor verdadeiro aceita que a partida, às vezes, é o melhor final.
Ter a consciência do nosso fim e de como isso pode ser deixa a passagem mais leve.
Eu só quero a sorte de uma morte tranquila.
nota da editora: Julianna Granjeia é jornalista e linda e aceitou meu convite para escrever aqui como convidade. Sorte nossa.

http://malvadezas.com/page/2/

A Mentira

Olive (Emma Stone) era aquele tipo de estudante cuja presença não era notada por ninguém, além de sua melhor amiga Rhiannon (Alyson Michalka). Quando ela a convida para passar um fim de semana acampando, Olive dá como desculpa que irá se encontrar com alguém. Na segunda seguinte Rhiannon lhe pergunta como foi o encontro e, para manter a história, Olive diz que perdeu a virgindade com ele. A notícia é ouvida por Marianne (Amanda Bynes), a crente da escola, que logo a espalha para os demais alunos. A situação altera o modo como as pessoas olham para Olive, o que faz com que ela se sinta dividida: ao mesmo tempo em que se sente mal por olharem para ela graças a uma mentira, ela gosta de enfim receber a atenção das pessoas. A situação potencializa ainda mais quando ela aceita a proposta feita por Brandon (Dan Byrd), seu amigo gay, de que finjam ter relações sexuais durante uma festa onde todos da escola estejam presentes. Desta forma Brandon passa a ser visto como heterossexual, deixando de ser perseguido, e Olive assume de vez a figura de vadia da escola. Só que ela não podia imaginar até onde sua fama iria levá-la. 


Ensaio sobre um glaucoma

*texto de Thiago Schiavinato
Sempre acordavam na mesma hora. Ela corria pro banheiro, tomava a ducha fria, não importando a estação do ano ou a temperatura. Fora do quarto dividiam pouca coisa. Ele fazia o café. Ela dizia que a água fria era vida. Ela professora. Começava às 7, Ele bancário terminava às 4.
Apesar do sexo escasso, se davam bem. Ela dizia que a banalização do sexo prejudicaria a relação, julgava duas vezes ao mês mais do que suficiente. Ele se virava como podia. Não era avesso ao uso das próprias mãos, mas de vez em quando Ele recorria aos trabalhos esterilizados de alguma profissional.
Não considerava traição, mas por via das dúvidas Ele sempre levava um presentinho para Ela após as tardes lascivas. Uma flor, um livro ou a fruta da época. Apesar de sempre querer o perdão para sua impureza púdica, Ele na sua confusa cabeça era fiel.
Numa tarde calorenta e cheia de mosquitos Ela começou também a trazer presentes para Ele. Na primeira semana uma camisa gola V. Na segunda um gel para o cabelo. Na terceira uma loção pós barba.
Com isso parou, Ele então, de presenteá-la. Passou a tocá-la nas madrugadas úmidas. Era janeiro, o mofo subia junto com o fogo da, outrora, frígida esposa.
Ela estremecia as pernas, contorcia em desejo, molhava as partes necessárias e eles faziam o melhor dos sexos. Pareciam dois novos amantes. Peles quentes, desejo, calor. Eles.
Pela manhã a mesma rotina. Café, ducha, jornal, pão da padaria do seu Adolfo e frieza. Ele satisfeito e encucado, Ela com a pele ótima e silenciosamente feliz.
Ele contratou um detetive para seguir Ela. Mesmo em dúvida sobre os cornos, Ele amava Ela ainda mais. Faziam sexo como na época em que se conheceram, há longínquos 15 verões. Ele abandonou até mesmo o primeiro dos pecados eclesiásticos. A safira matutina.
Na segunda semana o detetive lhe trouxe um endereço. Após observações minuciosas, passou-lhe um relatório completo das atividades extra-curriculares Dela. A visita diária à um certo endereço após o encerramento da jornada laboral despertou curiosidade e desespero.
Apesar do gozo quase diário, do prazer, da paixão Ele estava destruído. Pensamentos bovinos ocuparam sua serenidade, havia perdido a devoção submissa. Nesta madrugada gozou com raiva. De um amigo catireiro comprou um 38. Cano curto, cromado. Numeração raspada.
Como de costume transaram na madrugada seguinte. Ela antevendo o crepúsculo, chupou como nunca, gozou como poucas e gemeu como a maioria. Ele dividido entre a dúvida, a esperança e a vergonha, gozou. Um gozo amargo de boldo.
Na manhã. Ducha, café, jornal, pão do seu Adolfo, Ela sorriu. Ela disse que precisavam conversar. Ele disse que não podia, sábado era dia da sinuca no Bar do Asdrúbal. Campeonato do bairro.
Ao chegar Ele depara-se com o corpo Dela pendurado na viga da cozinha. Sobre a mesa um bilhete. Escrito no papel de pão do seu Adolfo a frase reluzia: aos cegos nem toda a luz do sol bastaria. Ele busca o 38 e com um tiro no céu da boca, encontra a claridade glaucômica dos amores mal vividos.
**nota da editora: malvadezo novo na área. Thiago, por enquanto, está sem quadradinho aqui, mas logo completa seu cadastro como colaborador oficial do nosso blog preferido. =]

AS MENTIRAS NO RELACIONAMENTO

Analisando e refletindo sobre inúmeros relacionamentos, e como o ser humano possui a capacidade de alterar algum acontecimento, resolvi me aprofundar um pouco mais no assunto.
A mentira nada mais é quando alguém diz algo que seja falso, e claro, com o objetivo do outro acreditar. Mas não é apenas dizer algo que não seja verdadeiro, pois uma pessoa pode dizer sem saber que não é verdade, ou seja, só é considerado mentiroso aquela pessoa que sabe que não é verdade aquilo que está contando, e mesmo assim passa aquela informação ao outro.
Conversando com algumas pessoas, estas incluem a omissão como sendo uma forma de mentir. A omissão não é considerada uma mentira, pois omitir significa não falar nada, a não ser que alguém pergunte e a pessoa que estiver sendo questionada faz gestos que induzem a outra pessoa a acreditar naquilo que não é verdade.
O que acontece, é que tanto a mentira como a omissão possuem a mesma consequência: a falta de confiança.
É muito comum nos relacionamentos encontrarmos casais que no dia a dia acabam modificando alguma coisa que já aconteceu, ou que irá acontecer. Mas estes casais não param para pensar o quanto estes comportamentos podem atrapalhar no relacionamento.
Mentiras que uma pessoa pode considerar sem importância, para a outra pode ter uma importância mais elevada, gerando problemas bem maiores do que se a pessoa que mentiu tivesse enfrentado a verdade. Muitos fogem da verdade, mas é através dela que a confiança é construída.
Pequenas mentiras são aquelas que a pessoa não considera grave a ponto de gerar uma briga grande ou até de terminar o relacionamento, mas mentem por algum motivo, seja pelo casal não ter uma comunicação de qualidade no dia a dia, por medo da reação do outro, desse outro desaprová-lo, por receio de gerar alguma discussão, enfim, resumindo a maioria das vezes a mentira no relacionamento se baseia no medo de gerar conflitos. 
A mentira sempre tem um antecedente, mas nem sempre este antecedente vem do outro, ele pode vir da própria pessoa que mente. 
Antecedentes que partem do outro, seriam aqueles comportamentos que o mentiroso não gostou que o outro teve, portanto mente para não acontecer novamente. E os antecedentes do próprio mentiroso são inúmeros, pois dependerá da história de vida dessa pessoa, do aprendizado, e do contexto em que está inserido no momento. Mas vale ressaltar que ambos são errados, e atrapalham muito o relacionamento.
A pessoa aprende a mentir, e a partir do momento que ela percebe que mentir faz ela se esquivar dos problemas, a mentira vai se tornando presente cada vez mais na vida dela, e quando o outro percebe, pode gerar consequências muito ruins, como a falta de confiança, que é algo essencial para um relacionamento saudável. 
Resumindo: pequenas mentiras frequentes podem gerar grandes mentiras no futuro.
A pessoa que mente deixa o outro se sentir inseguro, e uma pessoa insegura dentro do relacionamento é capaz de se sentir muito mal, a ponto de colocar um ponto final nesta relação, ou de trazer muito mais conflitos que poderiam ser evitados com a verdade. Saber enfrentar a verdade é um desafio para a busca da felicidade do casal.
A pessoa que descobre que o outro mentiu, seja mínima esta mentira, já poderá deixá-la preocupada que outras mentiras virão, mesmo não acontecendo. Mentiras destroem a confiança, e a desconfiança destrói o relacionamento. 
A pessoa mentirosa também se sentirá mal, pois não será levada a sério, mesmo quando falar a verdade.
Mesmo um casal perdendo a confiança um pelo outro, é possível resgata-la, mas sempre com a  verdade. 
Assumir as consequências de algo errado faz a pessoa ser mais digna a ponto do outro reconhecer. Portanto, ao invés de mentir ou esconder, ainda a conversa verdadeira é a melhor aliada para uma convivência sem problemas.
E caso você não consiga parar de mentir, busque ajuda de um psicólogo!

Mentiras, Omissões e Confiança

Muitos dizem que a confiança é a base de um relacionamento. Na minha opinião, quem afirma isso não poderia estar mais correto. Em um relacionamento amoroso, deve existir amizade também. O seu parceiro precisa ser seu amigo, ter sua confiança, companheirismo, poder desabafar, receber conselhos e divertir-se ao seu lado. Como ter qualquer uma dessas coisas sem confiar no outro?
Também é preciso ter certeza que seu parceiro não te trairá, que está onde diz estar, que não fará algo que se comprometeu a não fazer.  Tem algo pior que “liberar” seu namorado para sair com os amigos e ficar pensando o tempo todo se ele realmente está lá, se está te traindo ou exagerando na bebida, mesmo tendo prometido que não o faria?
E descobrir fatos pessoais do seu parceiro através de terceiros? Ou ser sempre o último a saber das coisas dele? Acreditam ser um relacionamento assim algo saudável? Quem sabe, quando precisar desabafar com alguém e precisar ligar para um amigo ou amiga ao invés de falar com quem se relaciona, pois não existe intimidade suficiente?
Se houver confiança, nada disso ocorerá, a amizade e o relacionamento crescerão. Você será sempre calma, tranquila, saberá que o seu parceiro está sempre falando a verdade, não existirá desconfiança, angústia, ciúme excessivo, nada. E como conquistar esse grau de amizade, intimidade e confiança? Simples, sendo honesta, sincera, não mentindo nem omitindo nada.
Aí existem as “desculpas” por mentiras e omissões. Muitos mentirosos (desculpem a palavra forte, mas quem mente é mentiroso) justificam esse ato asqueroso com “era o melhor pra ela”, ou que foi para evitar dor, brigas, mágoas ou qualquer outra balela.  Bem,  na minha opinião, não cabe a ninguém tomar decisões pelo outro ou saber o que vai ser melhor ou pior para ele. Se você acha melhor a pessoa não saber o que você fez, seria melhor não ter feito. Se é tarde, tenha caráter e arque com as consequencias. Se quer justificar como sendo algo para evitar brigas, seja madura e fale a verdade, depois a sua opinião sobre o assunto e peça compreensão. O próprio Deus não toma decisões pela gente, o que nos dá direito de tomar pelo parceiro?
Como consequencia desses atos temos o fim da confiança, que é algo difícil e demorada para ser conquistada, mas totalmente destrutível em instantes, apenas por uma atitude. Aí o relacionamento sem confiança fica algo péssimo, a amizade praticamente vai embora,  junto com a vontade de ver o parceiro, a mágoa permanece, começam desconfianças, brigas, você não acredita mais no que o outro fala, começa a não “deixar” que ele faça coisas comuns, por não acreditar que ele cumprirá com a sua palavra, e por aí vai. O que era um namoro/noivado/casamento excelente é destruido por apenas uma mentira ou omissão.
Poderia continuar escrevendo sobre os males e consequencias desses atos, mas acredito que já deu pra entender. Se queremum relacionamento bom, maduro, sem desconfianças, nao minta ou omita nada, tenha caráter. Seja a diferença.

Adeus


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Do Silêncio

Autor de “O pequeno príncipe”, Saint-Exupery serviu durante alguns anos como comandante de um pequeno aeroporto ao norte da África. Aqui ele nos fala do silêncio do deserto:
“Era um silêncio de paz, quando as tribos que viviam perto de nós estavam reconciliadas; era um silêncio de meio-dia, quando o calor do Sol suspende os pensamentos e os movimentos do homem.
“Era um falso silêncio, quando soprava o vento do norte, anuncian­do uma tempestade de areia; era um silêncio de mistério, quando eu me sentava diante de um árabe para tomar chá e não conseguia decifrar os seus olhos.
“Era um silêncio tenso, quando o piloto que estávamos esperando tardava a chegar; e um silêncio melan­cólico, quando a mala postal era aberta e não continha a carta da pessoa que eu amava.
“O silêncio era sempre o mesmo, mas ele tinha várias faces”

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Da alma confusa

O abade Pastor estava certa tarde no mosteiro de Sceta quando recebeu a visita de um ermitão.
“Meu orientador espiritual não sabe como me dirigir”, disse o recém-chegado. “Devo deixá-lo?”
O abade Pastor nada disse, o ermitão voltou para o deserto. Uma semana depois, foi de novo visitar o abade Pastor.
“Meu orientador espiritual não sabe como me dirigir”, disse. “Resolvi deixá-lo.”
“Estas são palavras sábias”, respondeu o abade Pastor. “Quando um homem percebe que sua alma não está contente, ele não pede conselhos – mas toma as decisões necessárias para preservar sua caminhada nesta vida”.
 
http://g1.globo.com/platb/paulocoelho/

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Da verdadeira luta

O abade Pastor costumava dizer que o abade João havia rezado tanto, que não precisava mais se preocupar – suas paixões haviam sido vencidas.
As palavras do abade Pastor terminaram chegando aos ouvidos de um dos sábios do mosteiro de Sceta. Este chamou os noviços depois da ceia.
“Vocês tem escutado dizer que o abade João não tem mais tentações a vencer”, disse ele. “A falta de luta enfraquece a alma. Vamos pedir ao Senhor que envie uma tentação bem poderosa para o abade João. E – se ele vencer esta tentação – vamos pedir outra e mais outra. E quando ele estiver de novo lutando contra as tentações, vamos rezar para que ele jamais diga “Senhor, afasta de mim este demônio”. Vamos rezar para que ele peça: “Senhor, dai-me força para enfrentar o mal”.

domingo, 4 de agosto de 2013

Do cofre

Nuri Bey era um homem rico e sábio, que se casou com uma mulher mais jovem e mais bela. Certa tarde, um de seus servidores lhe disse: “sua mulher guarda no quarto um baú que pode esconder um homem. Ela não me deixa limpá-lo ou abri-lo”.
Nuri Bey foi ao quarto da mulher. “O que tem dentro do baú?”, perguntou. “Roupas”, respondeu a mulher. “Então me dê a chave”, insistiu Nuri Bey. Com lágrimas nos olhos, a mulher obedeceu.
Nuri Bey ficou um longo tempo com a chave na mão, mas não fez nada. Ao cair da noite, chamou jardineiros e mandou que atiras­sem o baú no fundo do lago; jamais soube o que havia ali dentro.
Diz o Dervixe Kalandar que contou esta história: existem certas coisas que, se tentarmos resolver pela razão, estamos perdidos. É melhor simplesmente afastá-las de nossas vidas.

http://g1.globo.com/platb/paulocoelho/

sábado, 3 de agosto de 2013

Da sorte

Numa reunião em minha casa, alguém quebrou um copo. “Isto é sinal de boa sorte”, disse minha mulher.
Todos os presentes conheciam esta tradição. Quebrar copo, derramar açúcar sem querer, entornar vinho, são sinais de boa sorte.
“Por que isto é sinal de boa sorte?”, perguntou um rabino que fazia parte de nosso grupo.
“Não sei”, disse minha mulher. “Talvez seja um antigo costume, de deixar sempre o hóspede à vontade”.
“Não é a explicação correta”, disse o rabino. “Certas tradições judaicas dizem que cada homem tem uma cota de sorte, que vai usando no decorrer de sua vida. Pode fazer com que esta sorte renda juros, se usá-la apenas para coisas que realmente necessita – ou pode desperdiçá-la à toa. Também nós, judeus, dizemos ‘boa sorte’ quando alguém quebra um copo. Mas isto significa: ‘que bom, você não desperdiçou sua sorte tentando evitar que este copo quebrasse. Então, vai poder usá-la em coisas mais importantes’”.

 http://g1.globo.com/platb/paulocoelho/