Leka

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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

“Você adora despedidas…”

Eu fui apaixonada por você e acho que já te disse isso uma vez.
Sim, eu disse e você me devolveu um daqueles sorrisos sarcásticos que só você consegue quando deseja ardentemente ser odiado.
Quis você de todos os jeitos. Quis você chato, quis você ensimesmado, quis você apaixonado, quis voce egoísta, quis você rindo, quis você debaixo da minha coberta, quis você comendo chocolate de manhã e queimando a língua com batata frita, quis você dando bronca nas crianças enquanto corriam loucas pela calçada, quis você trocando o canal da tv incessantemente e parando naquele filme estranho, tão estranho quanto você. Quis você de conchinha e quis você na puta que o pariu também. Quis você acordado e dormindo; reclamando da distância e indo cada vez mais pra longe. Quis que você durasse pra sempre igual aquele sorvete de doce de leite que tomamos juntos e que nem deu tempo de derreter tamanha a urgência, ao contrário de nós.
Tive medo, criei expectativas altíssimas, me decepcionei, desconstrui todas as expectativas, sofri mexicanamente, chorei, virei um alguém com pedra de gelo o lugar do coração, desfiz relacionamentos onde a razão me dizia que eu seria feliz, mas quem liga pra razão? Eu só seria feliz com você e ponto e tatuei isso em alguma parte não fisica da minha existência. Eu só seria feliz com você.
Você era tudo que eu queria e o que eu não queria também. Alguém que eu idealizei lindamente, que eu construi com areia e água, e que na hora certa destrui com um golpe certeiro bem no meio do peito.
Eu sabia que você era menos, mas eu quis ficar mesmo assim. Eu quis viver com o menos, quis que me quisesse igual, e você nunca me quis igual, nem mais.
Eu amei cada curva que descobri em suas linhas retas, naquelas poucas horas em que esteve ao meu lado.
Eu amei cada respiração descompassada, eu amei cada sorriso, eu amei a sua mão chamando a minha pra ser só dela, eu amei intensamente cada ponto e vírgula que você colocou entre nós.
Eu amei e odiei em igual intensidade. Quis perto e quis longe em igual intensidade. Quis o 8 e o 80 em igual intensidade. Porque nós somos assim 8 e 80.
Eu te amei e amo ainda do meu jeitão. Já quis desistir de te amar quatro mil e duzentas vezes, mas essas coisas nao são assim tão fáceis. Desisti de te odiar e consegui.
Eu queria que você fosse meu e só meu, por um dia ou uma vida ou o tempo que fosse.
Eu criei você do meu lado, como um bichinho virtual que eu esquecia intencionalmente de alimentar, só que isso não fazia você morrer, pelo contrário, seus gritos de fome me acordavam no meio da noite.
Talvez tenha me faltado a coragem idiota de mostrar pra você, com atitudes não tão complexas, que era isso mesmo que eu queria e assim fui me escondendo atrás do medo, de armas de fogo, de desculpas infantis e infinitas, de outros caras e outros amores que na verdade nunca foram amores, porque era por você que meu coração dava cambalhotas e sofria paradas, era pra você que eu sorria mesmo você não estando ali; era com você que eu brigava nas várias noites que eu sentia minha cama fria; era pra você que eu contava do meu dia chato. Às vezes eu me dava conta da sua ausência e às vezes não.
Amei errado, fui na contramão, errei feio e errei bonito, senti raiva, quis vingança, fiz coisas horríveis pra você me amar e fiz coisas lindas pra você me odiar e você me odiou pondo um ponto final em tudo aquilo que fomos e em tudo aquilo que não fomos.
Foi aí que quis morrer e morri.
Só que o tempo passou e as coisas foram voltando ao seu estado normal de decomposição. Você disse que era contra essa inflexibilidade do ‘pra sempre’ e o jogo foi andando com o tabuleiro torto mesmo. Mas já nao tinha a mesma graça, essa se perdeu e eu nem sei dizer onde.
Eu amo você de um jeito que não vou desamar nunca mais, eu sei. E agora to chorando um choro sincero só porque desisti de querer você. Desisti de querer uma vida com você, desisti de arquitetar planos vãos pra ver você sofrer, desisti de comprar flores pra jogar no chão que você passou. Desisti de tudo, enfim. E isso incluiu nossos olhares, nossos sorrisos, inclui o jeito único, pessoal e intrasferível que encaixávamos com uma perfeição quase poética um no outro.
Eu desisti da vida que criei pra “nossa pequena família disfuncional” e da vida que nunca vivemos e nem vamos viver juntos.
Um dia acordei e decidi uma vida nova.
E hoje, aqui estou eu, vestindo a capa de otimista, criando um outro castelo, em um outro lugar, com outros personagens e outras histórias. E tudo aquilo que não morre nunca, vai morrer na marra.
Porque agora o final vai ser outro. Vai ser feliz. Assim espero.

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